sábado, 4 de março de 2017

Tu Fazes Falta

Sinto tua falta,
falta do teu beijo,
até dos dias chuvosos,
que ficávamos juntos.
Sinto falta,
do teu cheiro.
Dos dias frios,
dos dias quentes.
Dos filmes de terror,
ou mesmo os de comédia.
Saudades do teu canto,
de tua voz.
Tu fazes falta.
Diogo Soria  



     


segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

24h de Sofrimento

Crônica: Releitura de Grey´s Anatomy.


          Tem dias no qual eu acordo, e cai a primeira lágrima sobre meu travesseiro. Eu sabia que poderia salvar muitas pessoas, mas também iria dar a péssima notícia aos familiares ou amigos de alguns: "Infelizmente, ele não aguentou na cirurgia" . Então, sempre que viramos as costas, escultamos o mundo desabar atrás de nós. É bem triste que não conseguimos salvar uma pessoa, mas é como diz o seguinte ditado: "Estava na hora, ela precisava descansar."
           Não é o problema de "descansar", mas uma criança de oito anos tinha muito o que viver ainda. Ser cirurgião, as vezes, não é tão fácil. Principalmente, na hora de dar notícias ruins.
          As vezes, vamos apenas fazer uma entrevista de emprego, e somos atropelados por um ônibus, onde nem nossos amigos médicos, cirurgiões, residentes e enfermeiros nos reconhecem e nos apelidam de "João ninguém", pois nosso rosto está completamente deformado, incapaz de ser reconhecido.
          É tão triste, quando roda a notícia de que uma de suas melhores amigas, tem metástase em estágio quatro no corpo inteiro, e que tem somente dois ou três meses de vida. E sempre vem a seguinte pergunta em nossa cabeça: "Será que ela vai sobreviver? Será que não vai acontecer uma morte cerebral na cirurgia? Vamos conseguir ressecar o tumor todo do cérebro? E do pulmão?" Nesse momento, o mundo desaba novamente em cima de mim.
           As vezes, nos apaixonamos por pacientes, o que é inaceitável. Mas não conseguimos impedir. E para que aconteça um transplante de coração em nossa grande paixão, fazemos coisas que podemos perder nossa estrelinha de cirurgião, como: cortar o fio do LVAD, que seria, matar ele por um minuto, e depois tentar ressuscitá-lo. Como não sabemos o próximo segundo, minuto, dia, hora, seria somente tentar mesmo, pois ele morreria em nossos braços, e por todos os dias de nossa vida, ele nos assombraria, e sempre se sentiríamos culpados por ter matado alguém que a gente ama, somente para poder tentar salva-lá. 
           Depois de vinte e quatro horas de plantão, volto a minha casa, fico em frente ao espelho e minhas lágrimas começam a escorrer pelo meu rosto, uma amiga com câncer, um amigo morto, o que aconteceria amanhã? Poderia ser eu no necrotério, ou minha mãe! Mas ai me lembro, minha mãe já morreu também. As vezes o mundo é muito cruel, e muito difícil, a maioria dos dias, vão ser de sofrimento.
Diogo Soria